Lista de livros de autoras mulheres para o vestibular é reparação histórica que academia faz, contrapondo-se aos estudos de e sobre homens, considerados ‘universais’

Numa entrevista durante o lançamento do livro “Quem tem medo do feminismo negro?” (Cia. das Letras, 120 págs., R$ 34), em 2018, a filósofa e escritora Djamila Ribeiro revelou os obstáculos que encontrou, anos antes, na universidade, quando decidiu realizar sua pesquisa sobre a francesa Simone de Beauvoir. Na época, dizia Djamila, professores a desencorajaram, pois o trabalho da autora de obras seminais como “O segundo sexo” (Nova Fronteira, 904 págs., R$ 188) – e parceira intelectual de Jean Paul-Sartre – não era considerado relevante o bastante pela academia. A isso, somava-se o interesse de Djamila por pensadoras negras como Lélia Gonzalez ou Sueli Carneiro, ainda mais subestimadas.

Mas a experiência de Djamila na universidade pública não surpreende e tampouco restringe-se ao Brasil. “As feministas do mundo acadêmico têm pressionado, ao longo de décadas, por mudanças nos currículos”, afirma a britânica Sara Ahmed, filósofa, historiadora, pesquisadora e ativista. “Mostramos como a universidade equivale, muitas vezes, a estudos de e sobre homens. Universal = homens.”

No livro “Viver uma vida feminista” (Ubu, 448 págs., R$ 76), Sara dedica um capítulo inteiro a tratar de diversidade no ambiente de trabalho, a partir de sua experiência como professora em universidades na Austrália, nos Estados Unidos e no Reino Unido. Envolvida em programas de diversidade no corpo discente, docente e curricular, Sara menciona pesquisas da antropóloga surinamesa Gloria Wekker, que, em sua crítica da branquitude como “arquivo cultural”, mostra como o privilégio branco se torna “ponto de referência em estudos de mulheres e em estudos de gênero”.

Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2023/Cr%C3%ADticas-%C3%A0-Fuvest-exp%C3%B5em-ensino-feito-por-e-para-branquitude
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