Ex-chefe do Exército confirma existência de minuta golpista, mas tenta minimizar documento

Ministro Alexandre de Moraes confronta general sobre contradições em depoimento
General confirma existência de minuta golpista, mas tenta minimizar documento - FOTO - Marcelo Casal Jr - Agencia Brasil

Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército durante o governo Bolsonaro, confirmou ter participado de reunião onde foi apresentada uma minuta golpista, mas tentou diminuir a importância do documento.

“Ele apresentou esses considerandos, todos eles embasados em aspectos jurídicos, dentro da Constituição. Não nos causou espécie”, declarou o general durante seu testemunho.

O ministro Alexandre de Moraes repreendeu o militar por apresentar ao STF uma versão diferente da que havia relatado à Polícia Federal durante as investigações. “Se mentiu para a Polícia Federal, tem que dizer que mentiu para a Polícia”, afirmou Moraes após interromper o depoimento do general.

Freire Gomes respondeu de forma enfática: “Após 50 anos de Exército, jamais mentiria.”

O depoimento faz parte das oitivas de testemunhas de acusação no processo que investiga a tentativa de golpe após as eleições presidenciais de 2022.

Antes do general, Adiel Alcântara, ex-coordenador de inteligência da Polícia Rodoviária Federal, testemunhou ter recebido ordens da Diretoria de Operações da PRF para intensificar abordagens a ônibus e vans durante o período eleitoral de 2022.

Na próxima quinta-feira, a Primeira Turma do STF analisará a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra 11 militares e um agente federal suspeitos de participação na trama golpista. Segundo as investigações, o grupo seria responsável pelas “ações coercitivas”, incluindo planos para sequestro e assassinato de autoridades.

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