A Mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, é uma doença viral que tem ganhado atenção global devido à sua capacidade de se espalhar entre humanos e animais. Causada pelo vírus Monkeypox, a doença pode ser transmitida por contato direto com uma pessoa infectada ou através de superfícies contaminadas. Com sintomas que variam de erupções cutâneas a febre e dores musculares, a mpox pode afetar gravemente grupos vulneráveis, como crianças e imunodeprimidos. Neste artigo, exploramos os principais aspectos conforme divulgado pelo Ministério da Saúde, incluindo seus sintomas, modos de transmissão e medidas de prevenção, para ajudar na conscientização e controle da doença.
O que é a Mpox?
A mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, é uma doença viral causada pelo vírus Monkeypox. A transmissão ocorre entre pessoas e, ocasionalmente, do ambiente para pessoas através de objetos e superfícies contaminadas. Em regiões onde o vírus está presente em animais selvagens, a transmissão pode ocorrer a partir do contato com esses animais.
Quais são os sintomas da doença?
Os sintomas da mpox variam de pessoa para pessoa. O mais comum é a erupção cutânea, semelhante a bolhas, que pode durar de duas a quatro semanas. Outros sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, dores nas costas, apatia e linfonodos inchados. As erupções podem afetar várias partes do corpo, incluindo rosto, mãos, pés, genitais e olhos. Em casos mais graves, pode haver inflamação no reto e órgãos genitais, causando dor intensa e dificuldade para urinar.
Como é a transmissão?
A mpox se espalha por contato próximo com uma pessoa infectada, através de gotículas respiratórias, contato pele a pele, ou contato com objetos contaminados. A transmissão também pode ocorrer durante a gravidez, do feto para a mãe, ou durante o parto. O vírus pode persistir em superfícies e objetos, facilitando a transmissão indireta.
Quem pode contrair mpox?
Qualquer pessoa em contato próximo com um infectado ou com um animal portador do vírus pode contrair a doença. Pessoas vacinadas contra a varíola humana podem ter alguma proteção, mas a maioria dos jovens não recebeu essa vacina. Recém-nascidos, crianças, imunodeprimidos e profissionais de saúde estão em maior risco de desenvolver sintomas graves.
Mpox pode matar?
Embora a maioria dos casos se resolva espontaneamente, a mpox pode causar complicações graves e até morte, especialmente em recém-nascidos, crianças e imunodeprimidos. Complicações incluem infecções bacterianas secundárias, encefalite, miocardite e pneumonia. A taxa de mortalidade varia entre 0,1% e 10%, dependendo de fatores como acesso a cuidados médicos.
Como reduzir o risco de contrair Mpox?
Para reduzir o risco de infecção, limite o contato com suspeitos ou confirmados infectados. Use máscara e luvas ao cuidar de doentes, lave as mãos regularmente e desinfete superfícies contaminadas. Evite contato com animais selvagens em regiões endêmicas e cozinhe bem alimentos de origem animal. Essas medidas ajudam a prevenir a propagação do vírus e a proteger sua saúde.
Como reduzir o risco de contrair mpox?
Você pode reduzir o risco de infecção limitando o contato com pessoas que estão sob suspeita de mpox ou que foram diagnosticadas com a doença:
– Quando se aproximar de alguém infectado, a pessoa doente deve utilizar máscara (comum ou cirúrgica), sobretudo se tiver lesões na boca ou se estiver tossindo. Você também deve usar máscara.
– Evite o contato pele a pele sempre que possível e use luvas descartáveis se precisar ter contato direto com as lesões.
– Use máscara ao manusear vestimentas ou roupas de cama do doente, caso a pessoa infectada não possa fazê-lo sozinha.
– Lave regularmente as mãos com água e sabão ou utilize álcool em gel, especialmente após o contato com uma pessoa infectada.
– Roupas, lençóis, toalhas, talheres e pratos dos infectados devem ser lavados com água morna e detergente.
– Limpe e desinfete todas as superfícies contaminadas e descarte os resíduos contaminados (como curativos) de forma adequada.
– Em países onde há animais portadores do vírus Mpox, evite contato desprotegido com animais selvagens, sobretudo se estiverem doentes ou mortos (incluindo contato com carne e sangue do animal).
– Alimentos com partes de animais devem ser bem cozidos antes de serem consumidos.
Existe tratamento para mpox?
Os sintomas da doença, muitas vezes, desaparecem por conta própria, sem a necessidade de tratamento. É importante cuidar da pele que apresenta erupções, deixando-as secar ou, se possível, cobrindo-as com um curativo úmido para proteger a área.
Evite tocar em qualquer ferida na boca ou nos olhos. Pode-se utilizar enxaguantes bucais e colírios, desde que se evitem produtos com cortisona.
O profissional de saúde pode recomendar o uso de imunoglobulina vaccinia (VIG) para casos graves. Um antiviral desenvolvido para tratar a varíola humana, o tecovirimat, comercializado como TPOXX, também foi aprovado para o tratamento da mpox.
Tem vacina contra a mpox?
Anos de estudo levaram ao desenvolvimento de doses atualizadas e mais seguras para a varíola humana. Três delas (MVA-BN, LC16 e OrthopoxVac) também foram aprovadas para a prevenção da mpox. De acordo com a OMS, apenas pessoas que estão em risco (como alguém que teve contato próximo com um paciente) ou que integram algum grupo de alto risco para exposição ao vírus devem ser consideradas para a vacinação.
A imunização em massa contra a mpox, neste momento, não é recomendada.
Para a maioria das pessoas em risco, as vacinas disponíveis oferecem proteção contra a infecção e quadros graves. Depois de receber a dose, entretanto, a orientação é continuar a tomar os devidos cuidados para evitar contrair e espalhar o vírus, já que a imunidade somente se instala algumas semanas após a vacinação.
A OMS alerta que, desde que a varíola humana foi erradicada, em 1980, a maioria das doses contra a doença e que também combatem a mpox não está amplamente disponível e não há certeza de quando haverá estoque para o público prioritário. Em alguns países, as vacinas podem estar disponíveis em quantidades limitadas e para uso conforme orientações nacionais.
O Ministério da Saúde do Brasil informou que negocia a aquisição emergencial de 25 mil doses de vacina contra a mpox.
Alguns estudos demostraram que pessoas vacinadas contra a varíola humana no passado podem ter alguma proteção contra a mpox. Elas podem precisar, entretanto, de uma dose de reforço.
Crianças e adolescentes podem contrair a doença?
Crianças podem pegar mpox se tiverem contato com alguém que apresente sintomas. Elas podem ser expostas ao vírus em casa, por pais, cuidadores ou outros membros da família, através de contato próximo.
Crianças geralmente são mais propensas a apresentar sintomas graves que adolescentes e adultos.
O vírus pode ser transmitido ao feto ou a um recém-nascido durante o nascimento ou por contato físico precoce.
A erupção cutânea, num primeiro momento, pode se assemelhar a outras doenças infantis comuns, como varicela ou catapora, e outras infecções virais. Se uma criança ou adolescente de quem você cuida apresentar sintomas que possam sugerir mpox, procure orientação de um profissional de saúde.
Por correrem maior risco que adultos, crianças diagnosticadas com mpox devem ser monitoradas de perto até que se recuperem, caso necessitem de cuidados adicionais. Pediatras podem aconselhar que a criança seja cuidada em uma unidade de saúde. Nessa situação, um dos pais ou um responsável saudável e com baixo risco para mpox deve acompanhar a criança.
Quais os riscos da mpox durante a gravidez?
Contrair mpox durante a gravidez pode ser perigoso para o feto ou recém-nascido e pode levar à perda gestacional, além de complicações para a mãe. Se estiver grávida, evite contato próximo com alguém infectado. Se você acha que foi exposta ou apresenta sintomas que podem ser mpox, entre em contato com seu obstetra.
Se você confirmou ou se suspeita de infecção por mpox e está amamentando, converse com seu médico para obter orientação. O profissional vai avaliar o risco de transmissão do vírus e a possibilidade de suspender o aleitamento materno. Se for definido que é possível continuar amamentando e ter contato próximo, é preciso adotar medidas como encobrir as lesões. O risco de infecção por mpox terá de ser cuidadosamente equilibrado com os potenciais danos causados pela interrupção da amamentação e do contato próximo entre pais e filhos.
Ainda não se sabe se o vírus pode ser transmitido pelo leite materno.
Já tive a doença no passado. Posso ter a infecção novamente?
A compreensão acerca de quanto tempo dura a imunidade após uma infecção por mpox, atualmente, é limitada. Portanto, não se sabe se uma infecção anterior confere imunidade contra infecções futuras e, em caso afirmativo, por quanto tempo.
Já há casos de segundas infecções pelo vírus relatados. Mesmo que você já tenha tido mpox no passado, deve fazer tudo o que for possível para evitar ser infectado novamente.
Se você já teve mpox e alguém da sua família foi diagnosticado agora, você pode proteger outras pessoas sendo o cuidador designado, já que é mais provável que você tenha alguma imunidade em relação aos demais que nunca foram infectados. No entanto, você ainda deve tomar todas as precauções para evitar ser reinfectado.
Em quais partes do mundo, existe risco de ter a doença?
Os casos de mpox na República Democrática do Congo (RDC) estão em ascensão há mais de dois anos. Autoridades sanitárias do país declararam epidemia da doença em dezembro de 2022. Em 2023, o número de infecções triplicou, chegando a 14,6 mil notificações e 654 mortes. Já em 2024, a situação piorou – entre janeiro e meados de julho, mais de 12,3 mil casos suspeitos foram relatados e 23 províncias foram afetadas.
No fim de junho, a OMS alertou para uma variante mais perigosa da mpox. A taxa de letalidade pela nova variante 1b na África Central chega a ser de mais de 10% entre crianças pequenas, enquanto a variante 2b, que causou a epidemia global de mpox em 2022, registrou taxa de letalidade de menos de 1%.
Apenas em julho, cerca de 90 casos de infecção pela variante 1b foram reportados em países vizinhos à RDC e que nunca haviam registrado casos de mpox até então: Burundi, Quênia, Ruanda e Uganda.
Mpox é uma infecção sexualmente transmissível?
A doença pode se propagar de uma pessoa para outra através de contato físico próximo, incluindo a relação sexual.
As erupções cutâneas se manifestam, inclusive, em órgãos genitais e na boca, o que contribui para a transmissão da mpox pelo ato sexual.
O contato boca com pele também pode levar à infecção, se houver lesões cutâneas ou bucais. Além disso, as erupções cutâneas causadas pelo vírus podem se assemelhar a algumas infecções sexualmente transmissíveis, como herpes e sífilis.
Como o vírus pode ser transmitido de pessoa para pessoa, gays, bissexuais e HSH podem correr maior risco de exposição se tiverem relações sexuais ou outra forma de contato próximo com alguém infectado.
Quem tem maior risco de casos graves da doença?
Evidências sugerem que pessoas imunossuprimidas correm maior risco de desenvolver mpox grave ou morrer. Os sintomas do quadro grave da infecção incluem lesões maiores e mais disseminadas (especialmente na boca, nos olhos e em órgãos genitais), infecções bacterianas secundárias de pele ou infecções sanguíneas e pulmonares. Os dados mostram sintomas mais sérios em pessoas gravemente imunossuprimidas.
Pessoas com HIV em estágio avançado (com apresentação tardia de sintomas, contagem baixa de CD4 e carga viral elevada) têm risco aumentado de morte se desenvolverem quadros graves de mpox.
Pessoas que vivem com HIV e que alcançaram a supressão viral através do tratamento antiretroviral não parecem correr maior risco a quadros graves que a população em geral.
Pessoas com HIV não tratado podem estar imunocomprometidas e, portanto, podem correr maior risco de ter quadro grave. A a orientação da OMS é que os países integrem a prevenção e os cuidados relacionados ao HIV à mpox.
Pessoas sexualmente ativas e que não conhecem sua condição sorológica são aconselhadas pela OMS a fazer o teste para HIV
Fonte: Agência Brasil