As redes sociais se tornaram onipresentes em nosso cotidiano ao longo da última década e meia. Qual o impacto político dessa transformação? Se, a princípio, nos idos da Primavera Árabe e das “revoluções coloridas”, elas pareciam ser grandes aliadas da democracia e ferramentas de empoderamento dos cidadãos, a perspectiva mais recente é bem mais negativa: viraram instrumentos de demagogos autoritários, veículos de polarização, “fake news”, etc.
Nesta semana, foi lançado um livro que reúne algumas das respostas encontradas pela pesquisa empírica de economistas que vêm se debruçando sobre o tema. Editado por mim, em parceria com Ruben Durante (da National University of Singapore) e Andrea Tesei (da Queen Mary University of London), o livro compila contribuições de diversos autores, resumindo o conteúdo de artigos-chave na literatura econômica. Sem ser enciclopédico, o volume mostra que já acumulamos evidências substanciais e sabemos muito mais sobre o impacto político das redes sociais do que sabíamos mesmo há meia década.
A primeira conclusão pode parecer óbvia, mas precisava ser demonstrada: as redes sociais realmente representaram um choque significativo para os sistemas políticos em todo o mundo. Além disso, o que fica claro a partir das contribuições no livro é que o impacto desse choque tem características bastante distintas em comparação ao efeito de transformações anteriores nas tecnologias de mídia.
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