Foi um prazer imenso participar do Festival Nexo+Nexo Políticas Públicas: o Brasil em Debate, promovido pelo Nexo, que mais uma vez abriu espaço para a discussão de temas candentes no Brasil. A mesa, cujo tema central era “Educação Midiática por onde começar e o quanto ela resolve”, foi mediada pelo cofundador e editor-chefe do jornal, Conrado Corsalette, e contou com mais duas especialistas no tema, além de mim: Alana Rizzo, líder da área de Políticas Públicas e Relações Governamentais do YouTube no Brasil, e Fernanda Martins, antropóloga e diretora no InternetLab. Acho importante destacar que estávamos entre profissionais com experiências diversas com a mídia e, cada um em seu escopo de atuação, pensando em como é possível tornar a internet um lugar que seja, de fato, mais inclusivo e plural.
Instigadas pela pergunta disparadora do debate feita pelo editor – O que torna a educação midiática urgente? Como convencer as pessoas que, sem ela, o nosso debate público tende a se deteriorar cada vez mais? – nos pusemos a pensar sobre o que a educação para as mídias tem a ver com a manutenção do espaço público de debate com qualidade, aquele que inspirou a utopia do princípio de tudo, em que as redes iriam nos tornar verdadeiramente conectados com o que nos define como sociedade, sem, no entanto, deixarmos de ser únicos.
Liberdade de expressão, discurso de ódio, jornalismo profissional, algoritmos, inteligência artificial, fake news. Todos esses temas estiveram presentes na conversa, mas gostaria de destacar o que para mim foi mais relevante nesse debate de altíssimo nível: a certeza de que a internet ainda tem esse potencial transformador que motivou sua criação e o que quer que ela tenha se tornado tem a ver conosco, sociedade cada vez mais voltada para a satisfação rápida, individualizada e movida pelas aparências. É urgente pensar a Educação Midiática como uma educação transformadora, no sentido de potencializar a criatividade e a busca de soluções concretas para revertermos os danos causados pelo uso excessivo dessas ferramentas, que fortaleceu uma cultura centrada no lucro e na superficialidade.
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