Em um seminário realizado pela Esfera Brasil em São Paulo, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), expressou sua discordância em relação à ideia de uma política única de segurança pública no país. Segundo Caiado, tal proposta seria uma “bobagem”, enfatizando que o mais importante é que os governadores recebam o apoio necessário do governo federal para combater a criminalidade em seus respectivos estados.
A declaração do governador goiano veio em resposta às falas do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e do secretário nacional de segurança pública, Mário Sarrubbo, que defenderam a constitucionalização do Sistema Único da Segurança Pública (SUSP), criado em 2018 durante o governo Michel Temer (MDB). O SUSP seria composto pelas polícias Federal, Rodoviária Federal, civis, militares, Força Nacional e corpos de bombeiros militares, visando uma maior integração entre as forças de segurança.
Enquanto Lewandowski e Sarrubbo argumentam que a segurança pública não pode ser pensada de forma isolada pelos estados, Caiado contrapõe afirmando que os governadores são os mais capacitados para identificar as necessidades específicas de cada região e, portanto, devem ter autonomia para direcionar os esforços de combate à criminalidade.
O debate evidencia as divergências existentes entre as esferas federal e estadual no que tange à gestão da segurança pública no Brasil. Enquanto alguns defendem uma maior centralização e padronização das políticas de segurança, outros, como o governador Ronaldo Caiado, acreditam que a descentralização e o respeito às particularidades regionais são fundamentais para o sucesso no enfrentamento à violência e à criminalidade no país.