Estudo revela progressão acelerada do Alzheimer em pessoas com síndrome de Down

Descobertas podem ter implicações no tratamento e cuidados deste grupo de pacientes
Estudo indica Alzheimer mais precoce e progressão acelerada em indivíduos com síndrome de Down

Um estudo recente, publicado na revista científica Lancet Neurology, revelou que a doença de Alzheimer pode ter início precoce e avançar mais rapidamente em pessoas com síndrome de Down. Essas descobertas podem ter implicações significativas para o tratamento e cuidados deste grupo vulnerável de pacientes.

A pesquisa comparou o desenvolvimento e a progressão do Alzheimer em duas formas genéticas da doença: a doença de Alzheimer autossômica dominante e a doença de Alzheimer ligada à síndrome de Down. Segundo Beau Ances, professor da Daniel J. Brennan Neurology e co-autor sênior do estudo, as descobertas são importantes porque atualmente não há terapias disponíveis para pessoas com síndrome de Down que sofrem de Alzheimer.

Ligação entre Alzheimer e síndrome de Down

A síndrome de Down é uma alteração genética caracterizada pela presença de um cromossomo 21 extra, que carrega uma cópia do gene APP (proteína precursora de amiloide). Isso faz com que as pessoas com essa síndrome produzam muito mais depósitos de amiloide em seus cérebros do que o normal, o que está diretamente relacionado ao desenvolvimento da doença de Alzheimer.

O estudo mapeou o desenvolvimento dos emaranhados de tau, outro marcador de risco para o Alzheimer, em 137 participantes com síndrome de Down e 49 com doença de Alzheimer autossômica dominante. Os resultados mostraram que as placas amiloides e os emaranhados de tau acumulam-se nas mesmas áreas do cérebro e na mesma sequência em ambos os grupos. No entanto, o processo começa mais cedo e é mais rápido em pessoas com síndrome de Down, com níveis de tau maiores para um determinado nível de amiloide.

Implicações para o tratamento

Atualmente, existe apenas um tratamento para a doença de Alzheimer aprovado pela FDA (Food and Drug Administration) que comprovadamente altera o curso da doença: o lecanemab, que tem como alvo a amiloide. No entanto, como há uma compressão das fases amiloide e tau da doença em pessoas com Alzheimer associado à síndrome de Down, os pesquisadores acreditam que será necessário atingir tanto a amiloide quanto a tau neste grupo de pacientes.

“Podemos precisar encontrar abordagens diferentes para essa população”, afirmou Ances, ressaltando a importância de desenvolver terapias específicas para pessoas com síndrome de Down que sofrem de Alzheimer.

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