Na Ucrânia, o quadro já vinha comprometido desde 2014, quando da anexação da Crimeia pela Rússia. Mais de 750 escolas foram destruídas, danificadas ou forçadas a fechar em função do longo conflito

A invasão militar russa do território da Ucrânia tem dominado os noticiários e as redes sociais nos últimos dias. Imagens de explosões, mortos e da resistência ucraniana circulam rapidamente, junto com cenas emocionantes de milhares de cidadãos comuns tentando cruzar as fronteiras com a Polônia, a Hungria e a Romênia em busca de segurança. Esses conflitos de grandes proporções afetam obviamente todos os setores de um país; em meio à guerra, todos os aspectos da vida ficam comprometidos, do transporte à saúde pública, do abastecimento das cidades às comunicações. Mas como as guerras afetam a educação? Discuto aqui três canais por meio dos quais as guerras impactam estudantes, do curto ao longo prazo.

O primeiro canal por meio do qual uma guerra afeta a educação é a suspensão das aulas. Trata-se do mecanismo mais conhecido, sobretudo depois de dois anos de pandemia e todo o debate público e científico acerca das perdas e defasagens causadas pelo fechamento das escolas e a migração acelerada e sem preparo para a educação remota. Assim, além de lidar com os efeitos da pandemia, é plausível esperar que parte significativa das 7,5 milhões de crianças e adolescentes ucranianos tenham comprometidas sua alimentação, socialização, saúde mental e emocional, bem como suas aprendizagens, posto que muitas escolas foram fechadas em 21 de fevereiro último em função da agressão russa.

No caso particular da Ucrânia, o quadro educacional já vinha comprometido por conflitos há mais tempo. Segundo a organização não-governamental Save the Children, que atua na proteção dos direitos das crianças e adolescentes em todo o mundo, desde 2014, quando da anexação da Crimeia pela Rússia, mais de 750 escolas foram destruídas, danificadas ou forçadas a fechar em função do conflito. Ainda de acordo com essa ONG, desde a semana passada outras escolas e orfanatos foram bombardeados e mortes de crianças e professores foram confirmadas.

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